terça-feira, 11 de dezembro de 2007

RIVOTRIL

O que é e para que serve ?
O rivotril é o clonazepam, um tranqüilizante do grupo dos benzodiazepínicos. Sua alta potência, longo tempo de circulação como forma ativa e peculiaridades farmacodinâmicas o tornam um dos melhores tranqüilizantes disponíveis no mercado. Além disso, é uma medicação antiga o que permite seu conhecimento profundo uma vez que é usada por milhares de pessoas em todo o mundo, há muitos anos, sem nunca ter acontecido nenhum relato de efeitos perigosos. Como é antigo é também barato e fácil de ser encontrado, o que de forma alguma deve ser interpretado como sendo uma medicação de segunda categoria. A segurança dessa medicação é atestada pelo uso que é feito em crianças há muitos anos, sem nenhum problema decorrente do longo tempo de uso. A indústria que fabrica essa medicação elegeu este produto como antiepilético. De fato é assim, como todos os tranqüilizantes benzodiazepínicos, mas o efeito antiepilético não é sua principal função. Seu efeito tranqüilizante, sim, deve ser considerado sua principal qualidade. O Rivotril é eficaz para o controle da Fobia Social, do Distúrbio do Pânico, das formas de ansiedade genaralizadas e para ajudar a controlar os sintomas de ansiedade normais decorrentes de situações extremas da vida de qualquer um. Sua alta potência garante quase sempre um bom resultado e sua prolongada eliminação do organismo diminuem bastante o risco de dependência química. A dose comumente empregada varia entre 0,5 e 6mg por dia, podendo chegar a 20mg por dia em certos casos. Recentemente foi lançado a apresentação de 0,25mg de uso sublingual que está indicado para o uso imediato e episódico. Certos pacientes preferem usar a medicação só quando precisam e não o tempo todo como se costuma fazer, para esses casos existe a alternativa a apresentação sublingual.

Principais efeitos
O bloqueio da ansiedade costuma ser sentido logo nos primeiros dias, com isso os pacientes costumam adquirir confiança na medicação. Por outro lado a sedação é também forte, sendo recomendado para quem está com problemas para dormir. Ao longo do uso o efeito sedativo costuma diminuir permitindo que as pessoas que foram prejudicadas pela sonolência causada pela medicação restabeleçam seu rendimento normal. A sedação é muito variável: algumas pessoas com 1mg ficam completamente sedadas enquanto outras com 6mg não sentem sono algum. Isto depende apenas das características pessoais de cada um e é impossível saber como a pessoa reagirá caso esteja tomando pela primeira vez. Doses mais altas podem diminuir o desejo sexual: este efeito colateral desaparece quando a medicação é suspensa. Outros efeitos comuns aos benzodiazepínicos como tonteiras, esquecimentos, fadiga, também podem acontecer.

Considerações importantes
Não há relatos de má formação induzida durante a gestação provocada pelo rivotril. Sempre que possível, no entanto é recomendável evitar seu uso no primeiro trimestre. Quanto a esse assunto essa medicação é mais segura que outros tranqüilizantes benzodiazepínicos.

A seguir um relato de uma pessoa

Eu nunca usei nada que tirasse meu estado de consciência. Não bebo, não fumo, não consumo drogas. E nunca gostei dessa coisa de remédios controlados. Mas em 2001 teve uma greve gigante no ensino federal e eu, que cursava UniRio, tive que repor aulas intermináveis no ano seguinte - logo, não tive férias. Pra melhorar, durante o curso de Museologia (sim, provavelmente eu devo ser a única Museóloga que você conhece) tem duas disciplinas de montagem de exposição - Museografia III e IV - que são, consecutivamente, projeto e montagem. Eu peguei a primeira logo após a greve, com um "Professor Doutor" (como ele fazia questão de ser chamado) que adorava me atormentar. E como o grupo era pequeno e eu gosto da matéria, a carga caiu pra mim... e eu comecei a surtar. De verdade. Passava mal e não sabia o por quê. Achei que tinha ficado anoréxica, porque passava o dia todo enjoada, tonta, não sentia fome e assim ia. Então, durante um atendimento às pressas num Hospital por conta de uma crise, numa viagem pra Sampa, recebi o diagnóstico: labirintite.

Fiquei meio perdida depois disso. Não sabia como tratar. Fui numa médica clínica geral que me receitou tomar Dramim em caso de crise, pra cortar os efeitos. Outro me receitou Vertix, que me deixou doidinha, quase bati o carro da minha mãe. Foi então que eu resolvi procurar a mãe de um amigão meu, a Dra. Ana Cristina Rizzato, psiquiatra. E foi quando ela me receitou o Rivotril.

Morri de medo. Li a bula toda dele na farmácia, naquele livro das bulas, antes de comprar. Não sabia o que fazer com aquela receita azul na minha mão. Meus pais, farmaceuticos, ficaram preocupadíssimos: Rivotril é sossega leão, você não precisa disso. Meu pai não queria, minha mãe achou que, se a médica é de confiança, por que não? Fiz milhões de perguntas pra ela antes de tomar o remédio. Li e reli a bula, preocupada com os efeitos colaterais. "Você vai tomar subdose, duas gotas, não precisa ter medo. Vai controlar suas crises, cortar os efeitos, ajudar a realinhar.". Tomei com medo e com acompanhamento constante. E melhorei.

Hoje em dia não tomo mais. Ele me foi tirado aos poucos, com supervisão dela. Não tenho mais crise. Talvez porque eu não me estresse mais tanto como naquela época. De qualquer forma, não abuso: se tou cansada obedeço meu corpo e descanso. E guardo o remédio que sobrou pra uma emergência - no dia-a-dia levo o Dramim na bolsa.

Não aconselho ninguém a viver de tarja-preta. Causa dependência, precisa mesmo do acompanhamento médico. Sei de casos de lapso de memória por causa do Rivotril. Eu mesma fiquei mais "peixinho dourado", esquecidinha, depois do uso. Mas quando as coisas são feitas direito não tem problema.

Já consultei otorrino e ele me disse que minha labirintite é fraca, já tá bem melhor. Agora soube que a labirintite pode ser resultado de um choque de vértebras do pescoço, por onde passam microvasos que irrigam o labirinto, no ouvido. Sabe quando, numa batida, por exemplo, a cabeça vai pra frente e pra trás? Então. O choque das vértebras causaria um calo que dificulta a irrigação e causa a labirintite. Isso se resolveria com fisioterapia, tou pra consultar um médico a respeito.

Então, se você vai tomar ou toma Rivotril, vá com calma. Siga bem as orientações médicas que vai tudo bem. Mas procure tratar seu corpo e sua cabeça bem pra poder se livrar dele logo.

Afinal, remédio crônico significa doença crônica.

***

Aqui, o link do site da Anvisa com a bula do Rivotril para paciêntes.


Tudo o que eu podia esclarecer a respeito do medicamento já está no texto ou nas respostas de comentários dadas. Caso tenha alguma dúvida, não exite e procure um médico.


OBS: HJ MEU PAI NAO DORME SEM TOMAR RIVOTRIL, CADA VEZ COM DOSES MAIORES E NO MEIO NA NOITE TOMA MAIS........


10 comentários:

Tatuscula disse...

Olha só, sou Formada em Medicina Veterinária, e estudei durante um ano inteiro Farmacologia.
Também sou adepta ao não-uso de medicamentos ditos "controlados".
Indicamos Dramim para cães e gatos quando vão fazer alguma viagem longa, para evitar tonteiras, náuseas e vômitos - sintomas de labirintite.
Te aconselho, antes de tomar qualquer coisa, a fazer Pilates. Conhece?
Procure se informar no Google. è uma ótima técnica que combina alongamento e relaxamento. Curei uma depressão pós-parto (minha), com Pilates e Ioga.
Espero ter ajudado.

Antônio FR disse...

Não Bebo, não Fumo, não faço uso de drogas.

Em 1994 fui testado como cobaia por Psiquiatras CAROS com Benzodiazepínicos e Neurolépticos, devido a um quadro de depressão que sofria!

Em 1998 comecei a me tratar com Rivotril 2,5 mg gotas "FOI O QUE ME DEU MELHOR SENSAÇÃO" no início eu oscilava no campo PROFISSIONAL ADMINISTRANDO SOZINHO 8 EMPRESAS MINHAS e nesta área PROFISSIONAL eu tinha momentos de extrema EUFORIA e DEPRESSÃO PROFUNDA.

Resumindo em 2000 eu HAVIA perdido tudo e devia apenas para pessoas Físicas mais de R$800.000,00 hoje em 2013 perdi todos meus bens, não consigo mais trabalhar "na verdade mal consigo sair da única casa que me restou para nada" nem mesmo ir ao Banco e apesar de ter pago tudo, sobrevivo com a ajuda financeira de FAMILIARES e hoje tomo um vidro por dia e mal consigo dormir!

"MINHA VIDA ACABOU" não sei como será o FUTURO mas hoje com 37 ANOS sei que nunca recuperarei os bens perdidos e minha vida é um tormento de pesadelos e angústia me sinto um PARASITA e VERGONHA ENORME PELA MINHA ATUAL CONDIÇÃO FINANCEIRA.

Espero que não tenham este mesmo fim!!!!!

Obrigado ao dono do Blog pela oportunidade de contar minha experiência!

Unknown disse...

Antônio FR,

Não se sinta assim amigo, não perca jamais a fé em si mesmo, "basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo, vai ! tente outra vez !".

IRENINHA disse...

oi ANTONIO; BOA NOITE! VI SEU DESABAFO, E GOSTARIA DE TE FALAR PRA QUE NAO PERCA A FÉ EM VOCE E EM DEUS, NA BIBLIA DIZ QUE TUDO É POSSÍVEL AO QUE CRER, ENTAO SE VC NAO CRER, FAÇA ESTA ORAÇAO; MEU DEUS EU NAO CONSIGO MAIS CRER QUE MINHA VIDA POSSA MUDAR, EU ESTOU DESANIMADO E SEM FORÇAS; ME AJUDE AGORA ME DANDO UMA LUZ, MOSTRA QUE O SR EXISTE E ESTA ME OUVINDO AGORA, TUDO ISTO TE PEÇO EM NOME DE JESUS.AMEM [RECOMENDO QUE LEIA OS SALMOS DE DAVI, VC VAI VER QUE ELE TAMBEM PASSOU POR MOMENTOS MUITO DIFICEIS MAS VENCEU TODOS PORQUE ACREDITAVA QUE DEUS ERA COM ELE.]

adeildo guedes disse...

Silva,,em primeiro lugar eu gostaria de agradecer esta oportunidade de poder expressar a minha dor e sofrimento associados a depressão ansiedade exacerbada confusão mental tremor tristezas irritabilidades frequente e uma vontade imensa de deixar de viver. não tenho coragem nem para sair de casa e procurar ajuda medica , tudo porque eu sou um dependente do Rivotril. já tentei me livrar varias vezes mais não consegui minha vida é um verdadeiro inferno tudo que eu faço tenho de primeiro tomar um comprimido de Rivotril, queria que alguém me ensinasse uma saída.

Alexandre magno disse...

Amigão, controle sua mente, torne seu mundo mais amplo, me responda existe ainda algo que vocÊ gosta de fazer? O segredo ta em você mesmo, aliás não tem segredo... Escreva um livro sobre sua experiencia, tenha mais fé em vocÊ, não se limite, quebra algumas regras! Busque o auto conhecimento...

Tamiris Pires disse...

O dificil é controlar a mente,e aquelas dores quen vem,dor na nuca,pressao forte no peito,falta de ar..e entao o corpo pede o rivotril que faz passar tudoo..nao é impossivel larga como relatos acima,porem facil tambem nao é :((

Ian disse...

eu sempre fui dependente de alguma coisa. Fumo, bebo, tomo rivotril, zolpiden, entre outros remédios. Já tomei quase todos os ansiolíticos de que se tem conhecimento.
Sou, bipolar, depressivo, profundamente desmotivado com tudo e com todos. Não consegui me relacionar, trabalho por necessidade absoluta. Não tenho gosto por quase nada nessa vida. Sou um dependente dos remédios, rivotril é um deles. É muito triste sofrer de depressão, transtorno bipolar, síndrome do pânico, etc. Houve épocas em que eu não conseguia dirigir, trabalhar, realizar as atividades mais comezinhas do dia a dia. Hoje ainda consigo, mas eternamente sob conflitos internos extremos que me impedem de ir além. As pessoas não entendem e realmente é muito chato conviver com gente assim.

Enio disse...

Uso Rivotril há muito tempo. Tenho longo histórico em situações psiquiátricas e estudei muito minha patologia, considerada grave, a Esquizofrenia. Os ansiolíticos em geral tem propriedade de ação distintas, apesar de derivados do diazepan. O Rivotril é sem dúvida um bom medicamento, quando utilizado num regime disciplinar adequado pelo seu consumidor e acompanhado por um bom psiquiatra, porque ha muitos médicos que só se formaram na escola superior, mas são profissionais que vivem de protocolos hospitalares. Eu busquei o Riviotril, após uma intensa crise de ansiedade, que meu medicamento anterior, o Lexotan, não estava conseguindo contornar. Há efeitos colaterais peculiares. Mas são contornáveis em função da boa eficiência do medicamento. Só não invente de usar sem acompanhamento médico ou com tolerância a álcool e outros medicamentos que podem interagir com o Rivotril. O medicamento em si é excelente, indicado em situações mais severas, insônia crônica por exemplo, mas em casos de ansiedades mais tranquilas existem medicamentos mais suaves que garantem bons resultados. O que recomendo na minha experiência é: Não espere de um medicamento milagres. Há mudanças que devem ser feitas em nossos hábitos. Condenar um medicamento é perigoso, pq um doente com maus hábitos é o que realmente gera ineficiência de um tratamento. Conheça sobre sua patologia, seja qual for, e busque bons hábitos que em conjunto com a medicação, irão resultar numa vida normal e saudável. Abraços.

Rebecca Orwell disse...

Ian, não sinta-se só neste universo de questionamentos, perdas e ganhos. Tenho síndrome do pânico e, te entendo perfeitamente. Estamos num aprendizado difícil mas, tire o máximo proveito deste aprendizado. Não estamos aqui à toa!... Paz para você e para todos nós.